Luís Leão ministrará palestra sobre o sistema Android Things durante a IoT Latin America, que acontecerá nos dias 29 e 30 de agosto, em São Paulo

O maior evento de Internet das Coisas – IoT (sigla em inglês para Internet of Things), a IoT Latin America, acontecerá nos dias 29 e 30 de agosto no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Paralelamente à feira será realizado o 3°Congresso Latino-Americano de IoT, que discutirá tendências, inovações e desafios da Internet das Coisas em modelos de negócios, desenvolvimento e pesquisa. Uma das palestras será ministrada por Luís Leão, desenvolvedor de conteúdo da Udacity, a plataforma global de educação que é conhecida também como Universidade do Vale do Silício. Leão falará sobre a nova plataforma Android Things, lançada pela Google, que vai permitir que desenvolvedores no sistema Android comecem a criar dispositivos conectados para usos residenciais, industriais, em agronegócio e varejo.

Luís Leão coorganiza o Google Developer Group de São Paulo e trabalhou com projetos de Internet das Coisas para agências digitais, construindo instalações interativas para empresas como Google, Vivo e Fiat. Ele atua em diversas áreas voltadas para o empreendedorismo e inovação, entre eles, é responsável pelo programa Startup in School, projeto de formação empreendedora e programação para estudantes de escolas públicas. Na palestra que ministrará na IoT Latin America, Leão abordará as novidades da versão de produção 1.0 do Android Things, os passos para a criação de um protótipo e como será o funcionamento de suporte de longo prazo pelo Google. Leia a seguir a entrevista:

Como será a participação da Udacity na IoT Latin America e qual a expectativa sobre o evento?

Representando a Udacity no Brasil, eu apresentarei a palestra “Android Things 1.0: o que você precisa saber ao criar um dispositivo conectado utilizando plataforma Android”. Nela, vou compartilhar quais as maiores novidades da versão de produção 1.0 e os passos necessários para criar um protótipo com AndroidThings.

Uma vez que a Udacity tem como missão democratizar a educação, acreditamos que é cada vez mais importante disseminar conhecimentos e conteúdos referentes ao tema Internet of Things. Isso porque a IoT tem ganhado alta relevância no mercado devido a seu imenso potencial e pode gerar soluções para as mais variadas verticais, como residencial, indústria, agronegócio e varejo. Nossa expectativa durante o IoT Latin America é colocar esse assunto em pauta, dando o devido destaque para sua aplicação prática e principais vantagens.

Qual sua avaliação do quanto a Internet das Coisas está presente na vida das pessoas? O conceito de casas inteligentes está muito distante da realidade das pessoas aqui no Brasil?

Primeiro, com relação à avaliação, eu vejo com uma perspectiva muito positiva de que a IoT já é uma realidade, pensando que, muitas vezes, ter um dispositivo conectado não significa necessariamente ter um hardware em casa dedicado para uma tarefa de IoT. A forma como a gente consome hoje um celular smartphone, de certa forma, já pega um pouco o que é o conceito de IoT, de dispositivos conectados comunicando entre si e ajudando na tomada de decisão. Por isso, é possível dizer que já é realidade, no sentido dos serviços.

Agora, hardware no Brasil tem sido popularizado: já começam a aparecer dispositivos, inclusive brasileiros, que prometem essa questão da conectividade, do acesso remoto, da economia, entre outras coisas. Ainda não é uma realidade democrática no sentido de custo, mas já está começando a ser presente. E eu acho que, em breve, ao se perceber o valor que a IoT vai trazer, principalmente pensando no sentido de que IoT vem para trazer economia (afinal, o retorno de investimento em IoT é positivo). Essa é uma questão de percepção de valor das empresas e das pessoas de que isso pode ajudá-las a economizar e ter uma rentabilidade melhor ou otimizar processos.

Quais as novidades que o novo sistema AndroidThings traz e como as empresas podem se beneficiar dele?

Com relação às novidades, o Android Things passa a ser um produto estável, da mesma forma que os celulares com a plataforma Android. Um dos grandes anúncios que o Google fez nesse ano no Google I/O, sua conferência anual no Vale do Silício, é que eles lançaram a versão 1.0 do AndroidThings. Isso significa que, com a versão 1.0 lançada, ele passa a definir o que é chamado de suporte de longo prazo. Esse suporte de longo prazo é o mesmo que acontece com a plataforma Android, com os fabricantes de smartphones, e que permite, por exemplo, você ter uma noção de qual é a vida útil do suporte do seu dispositivo pelo Google. Isso é um dos principais pontos.

E uma outra novidade que foi anunciada pelo Google é a parceira com as empresas que fazem os chips para que você, desenvolvedor, possa criar e construir o hardware e utilizar essas empresas parceiras para fazer o processo de gravação e certificação do hardware.

Basicamente, o Google criou um ecossistema que junta não só a plataforma Android, mas fabricantes de hardware e dá suporte para que o desenvolvedor tenha segurança no que se propõe a fazer com seu dispositivo de IoT. Mais do que isso, outro ponto muito positivo é que Android Things tem o mesmo conceito da plataforma Android: então, isso significa que atualizações de segurança vão ser feitas automaticamente, que você consegue atualizar o software que está embutido no seu hardware – que é conhecido como atualização “over theair”, então, você só precisa subir para o Google a nova versão do seu software e ele é atualizado automaticamente, entre outras coisas.

Se você deseja produzir um hardware com AndroidThings, ele passa por um processo de homologação do Google.

O que o Android Things oferece para a empresa ou usuário contra violação de dados?

Existe uma preocupação muito grande com segurança do hardware e dos dados dos usuários. Uma das grandes vantagens da plataforma Android Things é que ela foi desenvolvida de tal forma que o código gravado no hardware é certificado – ou seja, ele é validado no momento do boot do sistema. Então você consegue garantir que nenhuma pessoa com alguma intenção ruim consiga substituir o software que está rondando e pegar dados do usuário – um dos pontos fundamentais.

Além disso, pensando no “long-termsupport” oferecido pelo Google, o hardware receberá atualizações de segurança automaticamente, que corrigirão falhas de segurança o mais rápido possível. O Android é uma plataforma robusta e segura e hoje tem mais de 82% do marketshare de dispositivos móveis.

Há algumas pequenas diferenças, elementos que não fazem sentido para IoT não estão presentes no Android Things, mas no geral é a mesma plataforma. O grande benefício, principalmente para quem é desenvolvedor Android, é essa bagagem que ele já possui com relação a segurança, a autenticação, a validação dos usuários e a permissão dos dados.

Em relação à questão dos certificados assinados, isso garante que o código que está rodando no seu hardware é o código que você, fabricante do hardware, fez. Inclusive, o Google oferece um console de gerenciamento dos seus dispositivos, onde você pode verificar não só qual a versão atual do hardware, mas também subir versões e atualizações de segurança, além de garantir que o seu sistema esteja estável para o seu usuário final.

Existe limitação da capacidade de gerenciamento de dispositivos através do Android Things?

Num modo de desenvolvimento, existe um limite de 100 dispositivos que você pode ter. Mas, pensando no que é IoT, basicamente você não quer construir só 100 dispositivos. Então, deve ocorrer um processo de homologação com o Google para colocar seu dispositivo em produção. Você vai acabar fazendo um contrato com o Google e assinando o termo de suporte. E, nesse caso, passa da limitação – pois o Google só tem essa limitação no ambiente de desenvolvimento mas, uma vez que você vai colocar em produção, é uma outra situação e não há limite.

Quais outros treinamentos e cursos a Udacity oferece?

Conhecida como a Universidade do Vale do Silício, a Udacity surgiu neste ecossistema inovador dos Estados Unidos em 2011, chegando ao Brasil em 2016. Fundada por Sebastian Thrun, é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado, oferecendo aos estudantes as habilidades que eles precisam para se preparar para as profissões do futuro, hoje. Isso é feito por meio de cursos online, chamados de Nanodegree, em áreas como ciência de dados, inteligência artificial, negócios e programação. O conteúdo dos cursos são criados em parceria com as principais empresas de tecnologia e negócios do mundo, como Google, Facebook, Amazon, IBM, Nvidia e Mercedes-Benz, entre outras. Além disso, a Udacity oferece aos alunos o aprendizado por projetos: todo estudante realiza diversos projetos durante o Nanodegree, aplicando os conceitos aprendidos, e recebendo uma revisão, linha por linha, de especialistas na área. Há atualmente mais de 7 mil alunos ativos nos cursos da Udacity só no Brasil, chegando a 50 mil em todo o mundo.

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