Um clima de otimismo e participação intensa do público marcou a IoT Latin America 2018, feira internacional da Internet das Coisas, que aconteceu nos dias 29 e 30 de agosto, no Transamérica Expo Center. O evento mostrou como cada vez mais a internet está presente no nosso dia a dia, em praticamente todos os tipos de negócios e empresas e o impacto da IoT (Internet ofThings) nos próximos anos no Brasil. A feira é o mais importante evento B2B exclusivamente voltado ao setor e com foco na geração de negócios na América Latina e promove, simultaneamente, o 3° Congresso Brasileiro e Latino- Americano de Internet das Coisas (IoT), organizado pelo Fórum Brasileiro de Internet das Coisas. Além da exposição, a IoT Latin America apresentouem seu Multipalco de Verticais discussões sobre casos abrangendo todo o ecossistema de Internet das Coisas em diversas verticais.

No primeiro dia, oMultipalco de Verticais trouxe 14palestras e 2 painéis comauditórios completamente lotados e filas de espera para acompanhar grandes especialistas abordando os temas deIoTem diversasáreas: “IoT na Indústria Automotiva: Aplicações práticas da fábrica ao automóvel”, com RenateFuchs, Partner na Porsche Consulting; “Oferta comercial e disponibilidade de cobertura: a rede SIGFOX da WND e os casos reais em larga escala de IoT no Brasil”, com Eduardo Iha, Diretor de Negócios da WND; “O que estamos esquecendo na Casa Inteligente?”, com George Eric Wootton, Diretor Técnico da Auriside; “Soluções Eficazes para pequena e média empresa”, com Maurício Finotti, Sócio diretor da MOB I+E; “A Transformação Digital no Saneamento” – com Daniel Bocalão Jr, Gerente de Conectividade e Segurança da Informação na Sabesp; “IoT no Varejo – Customer Connect Space”, com Felipe Grando Sória, daBematech, e o painel “Metodologias modernas na abordagem e implementação de projetos de IoT”, com os painelistasRoberto Leandro Aran, Diretor de Operações da SAP, Omar Rodrigues, Diretor de Novos Negócios Healthcare da DXC Technology, Christian K. Rempel, da Logicalis, Gustavo Brito, Diretor da IHM Stefanini, e mediação de André Echeverria, Líder Inovação e Transformação Digital na Brasscom.

E no 2: “Inovações no Setor de Saneamento”, com Cristina KnörichZuffo, Superintendente de P&D Tecnológico da Sabesp”, “Qual o valor que a manufatura digital agrega ao seu negócio?”, com  RüdigerLeutz, Diretor Geral da Porsche Consulting Brasil; “Design Thinking e Viabilidade de Moldes plásticos: transformando boas ideias em projetos rentáveis”, com Alexandre Turozi, da CEO da 2pra1; “Plataforma RenesasCortex M: Suporte para o treinamento de desenvolvedores de soluções IoT Edge Computing”, com o Eng. Douglas P.B Renaux; “Como a Internet das Coisas está revolucionando a automação predial”, com Julio Cesar Garcia, Coordenador de Engenharia de Aplicações na Advantech; “Ação de fomento à inovação em Internet das Coisas”, com Maurício França, da FINEP; “Agricultura Digital e seus Benefícios”, com Eduardo Polidoro, Diretor de IoT M2M da Embratel; “Do dispositivo à Inteligência, com todos os tombos e tropeços ao longo do caminho…”, com José Gustavo Z. Rosa, da Going2 Mobile, e o painel “Metodologias modernas na abordagem e implementação de projetos de IoT”, com os painelistasRoberto Leandro Aran, Diretor de Operações da SAP; Omar Rodrigues, Diretor de Negócios para Healthcare, Life Sciences e Seguros da DXC Technology, Christian K. Rempel, da Logicalis, Gustavo Brito, Diretor da IHM Stefanini, e mediação de André Echeverria – Líder de Inovação e Transformação Digital na Brasscom. 

Cristina Knörich Zuffo, superintendente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Sabesp, que falou sobre inovações no setor de saneamento no dia 29,ressalta que hoje em dia, com a internet 4.0, todas as empresas que não estiverem dentro desse novo contexto da IoT acabarão morrendo. “Isso porque você usa a IoT para tudo praticamente. No caso da Sabesp, por exemplo, a questão de gerenciamento de rede, monitoramento de mananciais, monitoramento de degradação desses mananciais e vários projetos como o de relacionamento com os clientes, que passam a ter uma maior interatividade com as empresas em geral, não só no setor de saneamento, são fundamentais para o desenvolvimento daqui para frente. (…) Recentemente, nós ganhamos um prêmio internacional entre as 100 melhores empresas de TI do mundo. Então, para a Sabesp é muito importante essa questão de IoT e está no nosso DNA colocar IoT em tudo o que for possível, como a automatização de estações de tratamentos, automatização de redes e monitoramento inteligente”.

Para Felipe Grando Sória, daBematech, que discorreu sobre o tema “IoT no varejo – Customer Connect Space”, também no primeiro dia, o varejo hoje tem um potencial bastante grande para crescer em termos de aplicação de IoT. “Como é o conceito que a gente trouxe do Customer Connect Space. A ideia é que hoje a tecnologia do pequeno varejo, especialmente, está sempre concentrada no ponto de venda, onde você faz a transação de compra ou a emissão da nota fiscal. A gente enxerga que há um potencial dentro do varejo de trazer novas experiências para os clientes, consumidores e para as próprias pessoas que atuam no varejo como os funcionários e fornecedores. Trazer dispositivos que potencializem isso e tragam uma transformação digital é o que imaginamos onde a IoT tem capacidade de converter essas experiências digitais em coisas que agreguem mais valor, tragam maior lucratividade e uma melhor experiência para o consumidor”.

Falando sobre soluções eficazes para pequenas e médias empresas, Maurício Finotti, Sócio diretor da MOB I+E, frisou que o conceito principal é buscar soluções pequenas e escaláveis, de fácil implantação, rápidas e, principalmente, que tenha um payback curto. “Quando a solução de um equipamento gera uma melhoria, logo em seguida, você já paga aquela solução e começa a partir para outras até chegar a soluções maiores e melhores. (…) Os investimentos em internet das coisas são muito baratos, quando comparados com investimentos em automação, etc. Os dados são diferentes, mas o resultado que a internet das coisas gera tem um ganho muito grande e rápido para o empresário. Então, você começando a enxergar o que é indústria 4.0, o que é a internet das coisas, a gente começa a realmente ver que aquilo gera resultado e conseguimos um pulo disruptivo de melhoria de produtividade”.

André Echeverria, Líder Inovação e Transformação Digital na Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) e mediador do painel “Metodologias modernas na abordagem e implementação de projetos de IoT”, faz um balanço do debate. “Foi particularmente interessante essa perspectiva de quatro diferentes verticais discutindo duas abordagens comuns: a tecnologia de IoT e a metodologia de abordagem de projetos em IoT. A Brasscom tem um estudo que mostra que entre os anos de 2018 e 2021 vão acontecer investimentos no Brasil de mais de 240 bilhões de dólares em quatro tecnologias chamadas de transformação digital e inovação: IoT, segurança, Big Data Analytics e inteligência artificial. Destes 240 bilhões, 170 bilhões são só em IoT, o que dá a dimensão da importância que isso tem para o país”.

No dia 30, as palestras foram voltadas para os setores de educação, indústria, saúde e varejo, entre outros. As apresentações manifestaram o envolvimento de todos os segmentos de mercado na busca pelo desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias baseadas no conceito de Internet das Coisas.

Foram realizadas 12 palestras dos maiores especialistas em IoT. O Diretor de Tecnologia e Inovação da Prefeitura de Barueri, Daniel Gil abordou o tema “Case Câmeras ao Vivo”. Eduardo Peixoto, TBC, apresentou a palestra “IoT: Uma visão da evolução do produto manufaturado”. Benedito Fayan, da Solvian, discorreu sobre “Como a IoT e o analytics estão revolucionando processos de manutenção e operação das empresas”. Alexandre Grandi, da Cognizant Brasil, expôs o tema “Saúde Conectada – Alcançando maiores níveis de envolvimento do paciente e promovendo mais saúde para todos”. Já Wagner Sanchez, da FIAP, fez a apresentação de “Biohacking – Uma inevitável disrupção”. Antônio Pimentel, da Oliver Wyman, falou sobre “O Impacto de IoT no setor de varejo”. Anna Luiza Carvalhido, da Prospectiva Consultoria, destacou a “Economia digital na América Latina: políticas públicas e oportunidades de negócio”. Rafael da Silva, da FIAP,abordou o tema “Home Security: Warning! Youcanbe in the BBB”. Ricardo Melo, da GSI Brasil, discutiu sobre como “Enfrentar a evolução digital nos dias de hoje”. E Luís Leão, da Udacity, ministrou a palestra “O que você precisa saber para criar um dispositivo conectado utilizando a plataforma Android”.

O reitor do Instituto Mauá de Tecnologia, José Carlos de Souza Jr.,discorreu sobre o conceito de “Smart Campus”, plataforma digital implantada na área da instituição afim de buscar soluções eficazes e difundir o uso de IoT para segmentos ainda carentes de tecnologia. “A plataforma democratiza, armazena e compartilha as informações criando um ecossistema mais eficiente”, salienta. Para Souza, a sociedade ainda enfrenta problemas analógicos e a transformação tecnológica visa atender a essas demandas.

Luis Leão, da Udacity, que apresentou a palestra “O que você precisa saber para criar um dispositivo conectado utilizando a plataforma Android”, demonstrou otimismo em relação ao cenário nacional. “O evento foi bacana e com público interessado no assunto. Gostei de ver coisas novas com base naIoT e de ver a galera desenvolvendo hardware no Brasil.”

Sob o tema “Mecanismos para expansão de IoT em organizações de saúde”, Vidal Melo, representante do Hospital das Clínicas, enfatizou que considera a Internet das Coisas como uma ferramenta capaz de gerar dados e trazer mais informação. Com isso, após o surgimento da IoT “a tecnologia passou a dominar áreas que antes eram dominadas somente por humanos”, conta.

Durante a palestra, Melo apresentou também o InovaHC, prática voltada para incentivar o empreendedorismo e o desenvolvimento de projetos que gerem impacto no sistema de saúde. O núcleo conta com diversas ideias em andamento, dentre elas, uma proposta de receita médica digital, que promete identificar a receita desde a solicitação do remédio, venda até chegar ao consumidor final. “Isso permitirá combater o uso indevido de antibióticos, a automedicação, entre outros problemas”, expõe Melo.

Para Alexandre Grandi, da Cognizant Brasil, que expôs o tema “Saúde Conectada – Alcançando maiores níveis de envolvimento do paciente e promovendo mais saúde para todos”, foi interessante ver esta área sendo abordada do ponto de vista da IoT. “Fico feliz de ter eventos como este que começam a divulgar e considerar o setor de saúde no contexto. A primeira impressão que se tem de internet das cosias é aplicar à manufatura, e aqui vimos como isso se aplica na área de serviços – a saúde é basicamente uma área de serviços- e a gente vê que tem aplicabilidade, há casos de uso em outras áreas de serviços como bancos e varejo, por exemplo. Gostei muito do evento, foi minha primeira vez e espero poder participar todo ano.”

Conhecimento e negócios

Além de um catalisador e divulgador de excelência em conhecimento, o evento também significou boas oportunidades de negócios.

Para Mauro Salomão, diretor da Mouser, que teve estande na feira, o público foi dinâmico e a indústria tem empurrado o desenvolvimento do Brasil e procurado trazer novas tecnologias, inclusive IoT. “O BNDS lançou um projeto da IoT que vai ter um investimento de 231 bilhões de dólares até 2030. O cenário é otimista e pode levar a grandes realizações, mas vai depender também do resultado das eleições este ano”, ressalta. 

Na opinião deHuéliquis Fernandes Sales, da Renesas, que participou pela terceira vez da IoTLatinAmerica, a feira surpreendeu.“Tivemos um fluxo bem grande de pessoas em nosso estande. Foi muito bom, deu a chance de mostrar várias soluções que a Renesas apresenta pra área de IoT.”

Francisco Cavalcanti, CEO da WND, comemora o sucesso da empresa e as perspectivas positivas para o país. “Tivemos um avanço tremendo em um ano, estamos em todas as capitais do Brasil. O ramo de utilities – energia, águia – deu um grande salto. A feira foi muito boa, cresce ano a ano cada vez mais, tem mercado para todo mundo. O Brasil está avançando, com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Anatel, que têm focado muito em IoT. Tem havido financiamento do BNDES e do Finep para startups nessa área. É impressionante como temos avançado”, comemora o executivo. 

Aprovação do público

O último dia de palestras contou com casa cheia e empolgou o público presente na exposição: “A feira foi maravilhosa, assisti à praticamente todas as palestras, que abriram minha mente e serviram como referencial teórico para mim”, elogia o visitante Marcos Ferreira, estudante de Tecnologia da Informação.

Elizabeth Sosa deu ate3nção especial aos temas da Indústria 4.0. “A palestra com Eduardo Peixoto foi muito rica e instrutiva.”

Para Felipe Alvares, da Desoltec Engenharia, que visitou a feira no último dia, foi um evento que demonstrou o crescimento da IoT no Brasil. “Foi muito interessante, várias startups mostrando projetos e inovações da tecnologia, especialmente IoT. Muitas empresas trazendo soluções novas. O mercado até então estava muito fechado, sem muitas opções de tecnologia. Já podemos ver algumas opções novas pra IoT, podemos ver que o mercado está evoluindo bem rapidamente.”

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